sexta-feira, 24 de abril de 2026

Hoje aconteceu a defesa de Mestrado de Gabriela Veiga de Moraes

 Hoje aconteceu a defesa de Mestrado de Gabriela Veiga de Moraes com o título “Briófitas de ambientes cársticos no estado de São Paulo, Brasil”, orientado pelo Prof. Dr. Denilson F. Peralta. Participaram da Banca: Profa. Dra. Andréa Tucci e Prof. Dr. Dimas Marchi do Carmo.

Gabriela Apresentando.

Banca examinadora.

Resumo: As briófitas são caracterizadas pela ausência de vasos condutores lignificados, pela dependência de água para a reprodução sexuada e, em geral, pelo porte reduzido. O grupo compreende três divisões filogenéticas: Marchantiophyta (hepáticas), Bryophyta (musgos) e Anthocerophyta  (antóceros). Consideradas as primeiras plantas a colonizar o ambiente terrestre, as briófitas constituem atualmente o segundo maior grupo de embriófitas em número de espécies, com cerca de 20 mil táxons aceitos no mundo. A região Neotropical concentra a maior biodiversidade de briófitas do planeta, e, no Brasil, são reconhecidas 1.626 espécies. A Mata Atlântica destaca-se como o domínio fitogeográfico brasileiro com maior número de espécies endêmicas de briófitas, em razão de sua elevada diversidade biológica e da ampla disponibilidade de substratos favoráveis à colonização. Apesar de sua importância, é também o domínio mais ameaçado por ações antrópicas, abrigando a maior parte da população brasileira e tendo perdido aproximadamente 87% de sua cobertura original. Reconhecida como um dos cinco principais hotspots mundiais de biodiversidade, a Mata Atlântica reúne cerca de 20 mil espécies de plantas, das quais aproximadamente 8 mil são endêmicas. Os Parques Estaduais Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e Intervales (PEI), localizados ao sul do estado de São Paulo, estão integralmente inseridos no domínio da Mata Atlântica. A exploração científica dessas áreas teve início no século XIX, motivada por sua expressiva riqueza vegetal e pela descoberta de fósseis da megafauna pleistocênica. O PETAR foi oficialmente instituído como unidade de conservação de proteção integral em 1958, enquanto o PEI foi criado em 1995. A criação dessas unidades foi fundamental para a conservação dos ecossistemas locais, que atualmente também desempenham importante papel turístico e educativo. A presença de rochas calcárias nessas áreas favorece processos de dissolução química promovidos pela água, originando cavernas, sumidouros e outras feições típicas de ambientes cársticos. Esses ambientes apresentam condições particulares, frequentemente associadas a maior fertilidade do solo, o que influencia a composição e a estrutura das comunidades vegetais. No caso das briófitas, o substrato calcário pode afetar aspectos fisiológicos e morfológicos, como tamanho e desenvolvimento. Por sua vez, as briófitas também contribuem para o processo de carstificação e para a formação e estabilização do solo. As cavernas, em especial, podem atuar como refúgios relativamente preservados, favorecendo a ocorrência de espécies especializadas. No Brasil, ainda não há levantamentos florísticos de briófitas com enfoque específico em ambientes cársticos da Mata Atlântica. Nesse contexto, este estudo apresenta a primeira listagem florística de briófitas associadas a esses ambientes no estado de São Paulo. Foram identificadas 570 espécies, sendo Bryophyta o grupo mais representativo, seguido por Marchantiophyta e Anthocerophyta. Entre os musgos, a família mais rica foi Pilotrichaceae; entre as hepáticas, destacou-se Lejeuneaceae; e, entre os antóceros, Notothyladaceae apresentou maior riqueza específica. Foram registradas ainda 39 novas ocorrências, incluindo três para a região Neotropical e três para o Brasil. Duas dessas espécies: Bryum donianum Grev. e Heteroscyphus triacanthus (Hook. f. & Lév.) Schiffn. são frequentemente associadas a ambientes cársticos em outros países, reforçando a relevância ecológica desse tipo de habitat para a diversidade de briófitas.

Palavras-chave: Calcário, Mata Atlântica, Musgos


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